Comentário Bíblico

26° Domingo do tempo comum – 29 de setembro de 2013.

Repetição - 16,19 – 31 

A parábola do rico e do pobre Lázaro se repete no século 21 com o mesmo egoísmo, desamor, injustiça e falta de respeito do que fala Jesus: mansões de alto luxo e favelas; helicópteros e ônibus velhos, sujos, sem manutenção para transporte público; lautos banquetes e festas e marmitas cada vez mais vazias e raquíticas. Um irmão não se importa nem se incomoda com o bem estar do outro, basta eu me dar bem. Triunfa o consumismo, mesmo se para este fim é necessário usar em benefício próprio os bens que pertencem à comunidade.

Mas é bom todos se lembrarem de que esta vida terrena não é eterna, mas tem fim e que após a nossa morte teremos de prestar contas a Deus do bem, que fizemos e do mal que suportamos. Naquela hora nada mais poderá ser modificado ou corrigido e Deus nos julgará, não pelo dinheiro que juntamos nem pela fama que conquistamos durante a nossa vida, mas somente observará se a nossa vida correspondeu à vontade do Pai, orientados que fomos pela mensagem de Cristo, a mensagem do amor fraterno.

É bom o cristão analisar a sua vida enquanto é tempo, corrigir o que está errado e se aproximar mais da verdadeira fraternidade. Vamos aproveitar e aprender com o rico e os seus irmãos. 

Comentário escrito pelo Capelão do Mosteiro

 

Arcanjos do Senhor

 

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Arcanjo Gabriel portador das boas-novas, das mudanças, da sabedoria e da inteligência;
Arcanjo da Anunciação trazei a Palavra de Deus e que Ela permaneça em meu pensar e agir.
Fazei com que eu também seja um mensageiro dos preceitos do Senhor por palavras de bondade e solidariedade.
Arcanjo da Anunciação, vinde em meu auxílio.

Arcanjo Rafael guardião da saúde e da cura, peço que Vossos raios curativos desçam sobre mim, dando-me saúde e cura dos males do corpo e da alma.
Guardai meu corpo e minha mente livrando-me de todas as doenças.
Que Vosso raio curativo esteja em meu lar, sobre meus filhos e familiares e no trabalho que executo, com as pessoas com quem convivo diariamente.
Arcanjo Rafael transformai a minha alma e o meu ser para que eu possa sempre refletir a Vossa Luz.
Arcanjo Rafael, curai nossas enfermidades.

Arcanjo Miguel príncipe guardião e guerreiro, defendei-me com Vossa espada e protegei-me com Vosso escudo. Não permita que o mal me atinja.
Protegei-me contra assaltos, roubos, acidentes e contra quaisquer atos de violência.
Livrai-me de pessoas negativas e invejosas.
Levante o Vosso escudo de proteção em meu lar e sobre minha família, parentes e amigos.
Guardai meu trabalho, meus negócios e meus bens.
Arcanjo Miguel, trazei a paz e a libertação.
Arcanjo Miguel, defendei-me no combate.

 

 

 

Comentário Bíblico

25° Domingo do tempo comum – 22 de setembro de 2013.

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 Administrar – Lucas 16, 1 – 13 

Uma das mais atuais parábolas proclamadas por Cristo é a parábola do administrador desonesto. Quando percebeu que as suas falcatruas foram descobertas, tenta garantir o seu futuro, aliciando os devedores do seu senhor com ainda mais corrupção, comprando-os com o dinheiro do próprio patrão. Jesus parece elogiar o administrador desonesto por estes atos repulsivos, mas isto é puro engano nosso, pois o que Jesus admira, mas não aprova,é aquela ideia astuciosa de conquistar apoios, que lhe serão uteis no futuro, nos dias de adversidade.

Nas suas ações e procedimentos os homens de bem e íntegros, devem empregar semelhante habilidade e astucia e servir-se dos bens terrenos, adquiridos honestamente, para garantir o futuro de um mundo de paz e felicidade para si e para os irmãos.

É bom se lembrar das palavras de Cristo; ”Quem é honesto em coisa pequena, será nas grandes” e “O que adianta o homem conquistar o mundo inteiro, se perder a sua vida (Mt.16, 26).

Não perde apenas a vida terrestre, mas também a convivência com Deus na felicidade eterna. Estamos conscientes disso?

Comentário escrito pelo Capelãp do Mosteiro

Profissão Perpétua na Ordem do Carmo

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Festejando a Natividade de Nossa Senhora, a Família Carmelitana de Jaboticabal, em especial as monjas carmelitas, viveu um momento de alegria e de graças, e eleva a Deus um hino de louvor pela nossa querida Irmã Solange, que fez hoje a  Profissão dos Votos Perpétuos na Ordem do Carmo.

Atraída pelo grande amor com que Deus a olhou e a escolheu, Irmã Solange assumiu a vida contemplativa, com firme propósito de viver em obséquio de Jesus Cristo, buscando a cada dia uma perfeita e íntima união com Deus, mediante a oração, a fraternidade e o serviço.

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Acima: capela do mosteiro e a presença de vários sacerdotes da diocese e da Ordem do Carmo, e tendo como presidente da celebração Dom Antonio Fernando Brochini.

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Irmã Solange

A celebração desse Rito, após o Evangelho, ressalta como a nova vida da monja brota da escuta e acolhida da Palavra de Deus. O convite à monja para que acenda a sua lâmpada é o apelo a uma atitude interior de vigilância, iluminada pela fé e pela caridade, preparando-a para o encontro com o Cristo.

Em sua caminhada sempre contou com a proteção materna de Nossa Senhora, e sob o olhar de tão terna Mãe, Irmã Solange busca também em Maria a fonte de inspiração na fé, na esperança e na caridade, entregando-se totalmente a esta Família Monástica.

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Momento da Ladainha: Antes que a monja pronuncie seus votos e a Igreja a consagre, uma oração intensa implora a intercessão dos Santos. Foram pessoas que escolheram e anunciaram, com a palavra e com a vida, a Boa Nova de Jesus. A santidade destes homens e mulheres, sacramentalmente na sua obra e no seu testemunho, é sempre o horizonte pessoal de todos quantos fazem parte da comunidade reunida ao redor da Palavra do Senhor.

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Irmã Solange fazendo a sua profissão religiosa nas mãos da priora Irmã Maria do Carmo, em seguida assina o livro e mostra ao público a sua opção de viver somente para Deus. De joelhos acolhe a oração de sua consagração proferida por Dom Fernando e recebendo a capa branca, trazida pela sua mãe, como sinal de sua pertença definitiva na Ordem do Carmo.

Celebrar o nascimento de Maria Santíssima, é celebrar um marco fundamental na história da salvação. Maria é a ponte que ligará a Trindade Santa à humanidade. Através de seu corpo, por Deus preparado livre do pecado, Jesus vem ao mundo, e Nele realiza seu mistério salvífico. Na vida de Irmã Solange, celebramos o nascimento definitivo para o Carmelo, marcado por uma aliança de amor, doação e de fé, e que a exemplo de Santa Teresinha deseja proclamar que encontrou no AMOR a fonte de sua vocação e missão na Igreja. Unidos como irmãos, peçamos pela sua fidelidade, para que possa viver plenamente o ideal da monja carmelita e doar a sua vida pelo bem da Igreja e de toda a humanidade.

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Irmã Solange apresenta o símbolo que escolheu para sua consagração:

Cruz e a Rosa

Significado do Símbolo da neo-professa

 “Qual rosa desfolhada eu me entrego a Ti Senhor, para ver teus pés repousar sem dor sobre as pétalas…” Assim Santa Teresinha se definia, assim Irmã Solange deseja viver, numa doação total, almejando uma ambição pura de desfolhar-se para o Senhor, e simplesmente deixar que o Espírito Santo a leve de um lado para outro sem reservas. Uma rosa é uma imagem bela… desfolhada não tem valor para o mundo, mas ela sabe que ao desfolhar-se está se doando totalmente a Cristo, não para revelar sua beleza própria mas para que o amor de Jesus seja revelado. A rosa não faz nada por si só, ela precisa do Divino Jardineiro, e é no Amado Crucificado que ela encontra força de se desfolhar, é aos pés da cruz que ela deseja permanecer, sendo regada pelo amor e pela misericórdia que brota do lado aberto, e assim ter a coragem de, a cada dia, se doar plenamente. A cruz de Cristo em virtude de sua eficácia é mais que um simples sinal. É uma opção! É uma resposta de amor! “Ela representa a união nupcial da alma com Deus, fim para a qual foi criada, união conquistada por meio da cruz, realizada na cruz e selada para sempre”.(S.Edith Stein) Tomando a cruz e a rosa como sinal a iluminar sua consagração perpétua, Irmã Solange proclama ao mundo o desejo de assemelhar-se a Cristo, o desejo de abraçar a cruz junto a Jesus e tal como a rosa, revelar a suavidade e a beleza de pertencer somente a Ele, com a certeza de que Dele provém e para Ele voltará.

 

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A presença dos irmãos frades carmelitas Frei Marcelo e Frei Aparecido

e dos postulantes de Mogi das Cruzes

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Irmã Solange com Frei Eduardo

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Irmã Solange com sua mãe Maria Nicácio de Melo

Que a Festa da Natividade nos faça relembrar essa história tão especial, com os olhos agradecidos diante daquela que soube dizer SIM e, através disso, tornar-se mãe não somente de Jesus, mas de toda a humanidade.

Rezemos pela fidelidade de nossa Irmã e pedimos  que o Senhor Jesus desperte muitos outros corações a se entregarem ao serviço do Reino de Deus.

Mãe e Esplendor do Carmelo, rogai, por nós!

Comentário Bíblico

24° Domingo do Tempo Comum – 15 de setembro de 2013

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Paternidade – Lucas 15, 1 – 32.

 Um das parábolas mais impressionantes contada por Jesus é a parábola do Filho pródigo.  Um pai, apesar do absurdo do pedido do filho mais novo, atende a este pedido. Entregue parte do fruto do seu duro trabalho de uma vida inteira ao filho, que em seguida mostra não dar o devido valor ao conquista do pai e esbanja tudo com festas, até ficar na miséria. Este pai, ofendido, explorado e injustiçado, impulsionado pelo amor paterno, não consegue abandonar ou então odiar este filho. Aguarda dia após dia ansiosamente a sua volta, tanto assim que observa diuturnamente a estrada que conduz até sua casa. Quando enfim o filho, arrependido, volta a casa do pai, o encontre esperando de braços abertos, para recebê-lo e faz um grande festa.

A nossa vida é muito semelhante ao do filho pródigo. Muitas vezes abandonamos a mensagem de Cristo, que contém a orientação mais preciosa para a nossa vida. Seguimos os nossos próprios critérios e temos como resultado O PECADO, que por sua vez significa perder a união com Deus. Mas também cada vez, que a gente, reconhecendo o seu erro e se arrepende, encontra um Pai amoroso nos esperando de braços abertos, nos perdoando, reconduzindo-nos a união íntima com Deus.

Que sejamos agradecidos e capazes de agir da mesma maneira com um irmão nosso que nos ofendeu.

 Comentário escrito pelo capelão do Mosteiro

 

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Exaltação da Santa Cruz -  14 de Setembro

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Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto a fim de que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo, com razão, tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.

Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.

É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande, sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto – pelos milagres e sofrimentos de Cristo – tanto mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.

É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-O a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.

Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

Dos Sermões de Santo André de Creta – Bispo

 

CARTA DO PAPA FRANCISCO AOS CARMELITAS

Stemma Carmelo I[1]CARTA DO PAPA FRANCISCO AOS CARMELITAS

POR OCASIÃO DO CAPÍTULO GERAL 2013

 Ao Reverendíssimo Padre Fernando Millán Romeral

Prior Geral da Ordem dos Irmãos da B.A.V.M do Monte Carmelo

Dirijo-me a vós, queridos irmãos da Ordem dos Carmelitas, que celebrais, neste mês de setembro, o Capítulo Geral. Neste momento de graça e de renovação, em que sois chamados a discernir a vossa missão, desejo oferecer-vos uma palavra de encorajamento e de esperança. O antigo carisma do Carmelo tem sido por oito séculos um dom para toda a Igreja, e, ainda hoje, continua oferecendo sua particular contribuição para a edificação do Corpo de Cristo e para mostrar ao mundo o rosto luminoso e santo. Vossas origens contemplativas brotam da terra da epifania do amor de Deus em Jesus Cristo, Verbo Encarnado. Enquanto refletis sobre vossa missão como carmelitas hoje, vos sugiro considerar três elementos que podem guiar-vos na realização plena de vossa vocação, que é a subida ao monte da perfeição: o obséquio de Cristo, a oração e a missão.

OBSÉQUIO

A Igreja tem a missão de levar Cristo ao mundo, e para isso, como Mãe e Mestra, convida a cada um e a todos a nos aproximarmos a Ele.

Na liturgia Carmelita da Festa de N. Sra. do Monte Carmelo, contemplamos a Virgem que está “junto à cruz de Cristo”. Este é também o lugar da Igreja: aproximarmos de Cristo. E é também o lugar para cada filho fiel da Ordem Carmelita. Vossa regra inicia-se com a exortação aos irmãos a “viver uma vida em obséquio de Jesus Cristo”, para segui-lo e servi-lo com um coração puro e indiviso. A estreita relação com Cristo é realizada na solidão, na comunidade fraterna e na missão. “A opção fundamental de uma vida concreta e radicalmente dedicada ao seguimento de Cristo” (RIVC) faz de vossa existência uma peregrinação de transformação no amor. O Concílio Vaticano II recorda o lugar da contemplação no caminho da vida: a Igreja tem, de fato, a característica de ser, ao mesmo tempo, humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, entregue à ação e dada à contemplação, presente no mundo e, apesar disso, peregrina” (Sacrossantum Concilium 2). Os antigos eremitas do Monte Carmelo conservaram a memória daquele lugar santo e, mesmo estando exilados e longes, mantinham o olhar e o coração constantemente fixos na glória de Deus. Refletindo sobre vossas origens e história, e contemplando as pegadas de quantos viveram, através dos séculos, o carisma carmelita, descobrireis assim vossa atual vocação de ser profetas da esperança. E é, precisamente, nesta esperança em que sereis regenerados. Com frequência, aquilo que parece novo é algo muito antigo, iluminado por uma nova luz.

Em vossa Regra está o coração da missão carmelita daquele tempo e de hoje. Enquanto vos preparais para celebrar o oitavo centenário da morte de Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, em 1214, recordais que ele formulou um “caminho de vida”, um espaço que vos torna capazes de viver uma espiritualidade totalmente voltada para Cristo. Ele delineou elementos externos e interiores, uma ecologia física do espaço e a armadura espiritual necessária para responder adequadamente à vocação e cumprir eficazmente a própria missão.

Num mundo que desconhece permanentemente a Cristo e, de fato, o rejeita, sois convidados a vos aproximar e aderir sempre mais profundamente a Ele. É um contínuo chamado a segui-lo e a serdes conformados n’ Ele. Isto é de vital importância em nosso mundo tão desorientado, “porque quando se apaga sua chama, também as outras luzes acabam por perder seu vigor” (Lumen fidei, 4). Cristo está presente em vossa fraternidade, na liturgia comunitária e no ministério confiado: renovai o obséquio de toda vossa vida.

ORAÇÃO

O Santo Padre, Bento XVI, antes de vosso Capítulo Geral de 2007, vos recordou que “a peregrinação interior da fé em direção a Deus se inicia na oração”; e em Castelo Gandolfo, em agosto de 2010, vos disse “vós sois aqueles que nos ensinam a rezar”. Vós vos definis como contemplativos no meio do povo. Com efeito, se é verdade que sois chamados a viver nas alturas do Carmelo, é também verdade que sois chamados a dar testemunho no meio do povo. A oração é a “estrada real” que nos abre à profundidade do mistério do Deus Uno e Trino, porém é também o caminho estreito de Deus no meio do povo, peregrino no mundo rumo à Terra Prometida.

Uma das vias mais belas para entrar na oração passa através da Palavra de Deus. A Lectio Divina introduz na conversação direta com o Senhor e mostra os tesouros da sabedoria. A íntima amizade com Aquele que nos ama nos faz capazes de enxergar com os olhos de Deus, de falar com sua palavra no coração, de conservar a beleza desta experiência e de contemplá-la com aqueles que estão famintos de eternidade.

O retorno à simplicidade de uma vida centrada no evangelho é o desafio para a renovação da Igreja, comunidade de fé que sempre encontra novos caminhos para evangelizar o mundo em contínua transformação. Os santos carmelitas foram pregadores e mestres de oração. Isto é o que ainda se pede ao Carmelo do século XXI. Ao longo de vossa história, os grandes carmelitas foram um forte anúncio da raiz da contemplação, raiz sempre fecunda da oração. Aqui está o coração de vosso testemunho: a dimensão contemplativa da Ordem, que deve ser vivida, cultivada e transmitida. Gostaria que cada um se preguntasse: como é minha vida de contemplação? Quanto tempo dedico, durante o meu dia, à oração e à contemplação? Um carmelita sem esta vida contemplativa é um corpo morto! Hoje, mais ainda que no passado, é fácil deixar-se distrair pelas preocupações e pelos problemas deste mundo e deixar-se fascinar por seus ídolos. Nosso mundo está debilitado de muitas maneiras. Aquele que é contemplativo, diferente do mundo, volta à unidade com Deus e por isso, torna-se um forte chamado a essa mesma unidade. Agora mais do que nunca, é o momento de descobrir o caminho interior do amor e oferecer às pessoas de hoje, na pregação e na missão, um testemunho da contemplação: não soluções fáceis, mas aquela sabedoria que emerge do meditar “dia e noite a lei do Senhor”, Palavra que sempre conduz para junto da cruz gloriosa de Cristo. E unida à contemplação, a austeridade de vida, que não é um aspecto secundário de vossa vida e de vosso testemunho. É um tentação muito forte, também para vós, cair na “mundanidade espiritual”. O espírito do mundo é inimigo da vida de oração: não esqueçais nunca disto! Exorto-vos a uma vida austera e penitente, segundo vossa mais antiga tradição, uma vida longe de toda mundanidade, longe dos critérios do mundo.

MISSÃO

Queridos irmãos carmelitas, a vossa missão é a de Jesus. Todo planejamento, todo confronto seria pouco útil, se o Capítulo não realizasse um caminho de verdadeira renovação. A família carmelita tem conhecido uma verdadeira primavera em todo o mundo, como fruto outorgado por Deus, do esforço missionário do passado. Toda missão mostra, às vezes, árduos desafios, pois a mensagem evangélica não é sempre acolhida, chegando a até mesmo ser violentamente rejeitada. Não devemos esquecer nunca, que se somos lançados em águas turbulentas e desconhecidas. Aquele que nos chama à missão nos dá também a coragem e a força para agir. Por isso, celebrais o Capítulo, encorajados pela esperança que nunca morre, com um forte espírito de generosidade em querer recuperar a vida contemplativa e a simplicidade e austeridade evangélica.

Dirigindo-me aos peregrinos na Praça de São Pedro, tive a ocasião de dizer: “Todo cristão e toda comunidade é missionária na medida em que leva e vive o Evangelho e testemunha o amor de Deus para com todos, especialmente àqueles que se encontram em dificuldade. “Sede missionários do amor e da ternura de Deus! Sede missionários da misericórdia de Deus, que sempre nos perdoa, sempre nos espera, e nos ama tanto!” (homilia 05.05.13). O testemunho do Carmelo no passado pertence à profunda tradição espiritual crescida numa das grandes escolas de oração. Esta suscitou a coragem de homens e mulheres que enfrentaram inclusive a morte. Recordamos somente os dois grandes mártires contemporâneos: Santa Teresa Benedita da Cruz e o Beato Tito Brandsma. Pergunto-me então: hoje, entre vós, se vive com a força e a coragem destes santos?

Queridos irmãos do Carmelo, o testemunho de vosso amor e de vossa esperança, radicados na profunda amizade com o Deus vivo, pode chegar como uma “brisa leve” que renova e revigora vossa missão eclesial no mundo hodierno. A isto sois chamados. O Rito de Profissão põe em vossos lábios estas palavras: “Com esta profissão, uno-me à família carmelita para viver a serviço de Deus e na Igreja, e aspirar à caridade perfeita com a graça do Espírito Santo e a ajuda da Bem-Aventurada Virgem Maria” (Rito da Profissão O.C).

A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, acompanhe vossos passos e faça fecundo a caminhada quotidiana para o Monte de Deus. Invoco sobre toda a Família Carmelita, e, em particular, sobre os Frades Carmelitas, dons abundantes do Espírito Santo, e a todos, concedo, cordialmente, a implorada Benção Apóstolica.

Vaticano, 22 de Agosto de 2013

Franciscus