Texto para reflexão

      Disponível como argila 

VASO E OLEIRO[1]

O Senhor Deus plasmou o homem como o pó da terra” (Gen 2,7)

          Eu, naquele entardecer da criação, senti passos no jardim. Era ele o SENHOR DA CRIAÇÃO. Acontece que, nesse entardecer, ele parou, inclinou-se, – com um olhar carregado de amor. E, de repente, juntou-me do chão a mim, pobre e pequeno punhado de terra, e ficou a me olhar pensativo. Remexeu-me longamente… longamente… com todo carinho!

        E então, começou a me amassar: primeiro, retirou de mim uma porção de impurezas que o atrapalhavam: pedrinhas, pedacinhos de pau, ciscos. E eu fui ficando terra pura, do seu gosto. Fez ainda outras operações, que eu não compreendia, nem poderia compreender: “Pode, por acaso, um vaso dizer ao oleiro: ‘eu entendo disso mais do que você.’?” (Is 29,16).

Eu nada perguntei. Oferecia simplesmente o meu ser em disponibilidade de amor. Deixava-me trabalhar. Deixava que ele me fizesse. Porque eu sabia que era obra sua e que ele transformava com amor.

De fato, fui tomando forma. Uma forma à maneira sua, à sua imagem! Pra que haveria eu de servir no futuro? Eu não o sabia. “Como argila nas mãos de um oleiro assim estava eu em suas mãos” (Je 18,6). E fui me tornando obra de Deus! “E ele, aplicava seu coração em aperfeiçoar-me, pondo cuidado vigilante em tornar-me belo e perfeito” (Eclo 38,31).

Depois veio uma etapa difícil. Porque foi um forno superaquecido que ao barro veio dar força e consistência. É o calor e o valor de minha vida que leva a bom termo a obra de suas mãos, o SENHOR CRIADOR. A cada vaso muito querido, ele dá contornos de eternidade. Então, comecei a olhar em torno de mim. E descobri outros vasos que suas mãos hábeis e cheias de amor haviam amassado e modelado artisticamente. Sem cansar-me, dava ele mais outra demão àqueles que não haviam saído bem. Cada um tinha sua forma e sua cor, sem dúvida, isso conforme à sua destinação no mundo. Mas, do mais humilde ao mais rico, todos eram lindos, todos bem feitos. Ele nos tinha feito como ele bem queria…

“Pode, por ventura, um vaso perguntar ao oleiro: por que me fizeste assim? Não tem o oleiro poder sobre o barro para fazer da mesma argila um vaso de uso nobre e outro de uso vulgar?” (Rom 9,20,21).

Ó OLEIRO DIVINO, CRIADOR E PAI, permite que se cumpra em mim a obra que começaste. Seja meu projeto o teu projeto sobre mim!

História de Santa Teresinha do Menino Jesus

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Santa Terezinha do Menino Jesus (1873-1897) nasceu em Alençon, França, no dia 02 de Janeiro de 1873. Foi uma criança muito amada, muito mimada também, especialmente por seu pai. Era uma criança comum, expansiva, alegre. Não havia nada de extraordinário nela. Tinha dificuldade nos estudos em gramática e cálculo, mas gostava de história e geografia.

A primeira grande perda de sua vida foi sua mãe, que morreu quando ela tinha 04 anos. Santa Terezinha, então, apegou-se a sua irmã Paulina, adotando-a como sua mãe. Mas, quando ela tinha 10 anos, Paulina ingressou no Carmelo. Foi um grande sofrimento para ela. Santa Terezinha ficou doente, uma doença misteriosa, que ela atribui ao diabo, mas que na verdade era depressão grave. Ela sempre foi hipersensível, o que agravou seu quadro. Mas, num domingo de Pentecostes, quando estava imóvel na cama, ladeada pelas irmãs que rezavam por ela, é curada pelo sorriso de Nossa Senhora.

O dia de sua primeira comunhão, muito esperada por ela, aconteceu quando tinha 12 anos e foi uma festa em seu coração. Um dia, Leônia deu para Celina e Terezinha uma caixa cheia de bugigangas suas, para que cada um escolhesse alguma coisa. Celina logo tirou um objeto. Terezinha então puxando a caixa para perto de si, disse: “ESCOLHO TUDO!” Essa será uma marca em sua espiritualidade: OU TUDO OU NADA! Depois foi a vez de Maria Luíza, sua irmã mais velha, ir para o Carmelo. Mais uma perda. Foi a época também em que Santa Terezinha adquiriu a doença dos escrúpulos, que a fez sofrer e que muito atrapalhou a sua vida espiritual. Agora era a vez de Leônia sair de casa.

Leia este artigo: Santa Terezinha do Menino Jesus – Santa por inteiro

Santa Terezinha teve a cura dos escrúpulos e de sua hipersensibilidade no Natal de 1886, o dia de sua “conversão completa”: quando ela tinha 13 anos, quase 14. Apesar de já ser adolescente ainda colocava presentes nos sapatos juntos à lareira, uma tradição para as crianças da Europa na época do Natal. Sem saber de sua presença na sala, naquela noite de Natal, seu pai comentou, já enfastiado, que estava satisfeito porque aquele seria o último ano em que ela faria aquilo. Para ela foi um choque ouvir isso de seu amado pai, seu “rei”, como ela dizia. Mas, nesse momento ela teve uma reação surpreendente, um momento de cura e de conversão mesmo.

Aos 14 anos, fala com seu pai que quer entrar para o Carmelo. Mas ainda não tinha idade suficiente pelo Direito Canônico. Seu pai vai conversar com o Bispo. Era preciso esperar aos 21 anos de idade. Mas a decisão e a determinação de Santa Terezinha a levaram até o Papa, na época, Leão XIII. No fim de tudo, ela consegue a autorização: entra no Carmelo com 15 anos. Terezinha, que toma o nome de Irmã Tereza do Menino Jesus da Sagrada Face será uma irmã como as outras. Poucas companheiras percebiam que ela era especial. Na monotomia do Carmelo, no serviço cotidiano, ela vai se aperfeiçoando. Em 1894, ano da morte de seu pai, ela descobre a “pequena via”.

A “pequena via” é um caminho que pode ser seguido por todos, pois é um caminho de simplicidade que não exige ne êxtases e nem penitências extraordinárias, mas somente a sabedoria de revestir de amor todas as atividades da nossa vida, até mesmo as mais ordinárias”. Viver tudo com amor, principalmente as pequenas coisas.

Ela nos ensina, com isso, a viver a Infância Espiritual”, a sermos crianças para atrairmos o olhar de Deus. E isso nos faz viver a pequenez – ser pequeno, viver o escondimento combate o nosso orgulho e agrada o coração de Deus. “Sou o que Deus pensa de mim!”

Santa Terezinha morreu no dia 30 de setembro de 1897. Suas últimas palavras foram: “Meu Deus eu vos amo!” As irmãs rezam o Credo. A cabeça dela se mexe, ela sorri. Entra um passarinho em sua cela, que voa sobre o seu leito e sai. Ela morre. Entrou na vida!

Foi canonizada em 1925, pelo Papa Pio XI.

Foi declarada padroeira das missões em 1927, pelo mesmo Papa.

Foi proclamada Doutora da Igreja no centenário de sua morte, pelo Papa João Paulo II em 1997.

Sua festa é comemorada em 01 de outubro.

A caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto de vários membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha coração, e que o coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem e que, se o amor extinguisse, os Apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os mártires se recusariam a derramar seu sangue…Compreendi que o amor abrange todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os lugares…Numa palavra, é eterno…

- Então no transporte de minha delirante alegria, pus-me a exclamar: Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: MINHA VOCAÇÃO É O AMOR. Sim, atinei meu lugar na Igreja, e tal lugar, ó meu Deus, fostes vós que me destes… No coração da Igreja, minha mãe, serei o amor… Assim serei tudo… Assim se realizará meu sonho!!!

(Santa Terezinha do Menino Jesus)

Comunidade Católica Pantokrator

Feliz Natal!

A comunidade das monjas carmelitas deseja a todos um Feliz e Santo Natal do Senhor!

Busquemos na manjedoura Aquele que nos ensina a humildade, o amor… Aquele que nos traz a paz e a alegria verdadeira que brota de uma esperança que jamais decepciona.

Acolhamos o Menino Deus que veio morar entre nós e deixemos-nos ser tansformados pela Luz que Dele irradia.

FELIZ NATAL!!!

natal 2013

Comentário Bíblico

4 °Domingo do Advento- 22de dezembro de 2013

 

sonho-de-jose[1] Disponibilidade – Mateus 1, 18 – 24. 

Os noivos José e Maria tinham a suas vidas organizadas e planejadas. Tudo se realizaria de comum acordo e respeitando as leis de Moisés. De repente Deus intervém nestas suas vidas e modifica todos estes planos. Se esta intervenção trouxe muita alegria e felicidade, pois Maria foi escolhida por Deus para ser a Mãe de Deus, o Salvador, de outro lado causou apreensão e preocupação a esta mãe, pois como explicar esta gravidez ao seu noivo José? Mesmo assim Maria confia em Deus, aceita ser a Mãe do Salvador e se entrega totalmente nas mãos de Deus, o Todo-poderoso. É do nosso conhecimento, como o nosso Pai do céu soluciona a dificuldade. Ele orienta José, que por sua vez acredita na palavra de Deus, aceita esta intervenção divina e eles se transformam numa família feliz, abençoada e protegida pelo Pai.

Pode acontecer coisa semelhante na nossa vida. Planejamos, organizamos, nos preparamos para uma coisa e de repente Deus intervém e nos indica outro caminho. Talvez um caminho não desejado nem sonhado. E neste caso somos capazes como José e Maria de confiar em Deus? A nossa resposta será: ”Seja feita a tua vontade e não a minha” ou nos revoltamos e reclamamos? Estamos convictos de que Deus será o nosso protetor e orientador nesta caminhada nova e nos ajudará a resolver os nossos problemas?

 Comentário escrito pelo Capelão do Mosteiro

 

Comentário Bíblico

 3° Domingo do Advento – 15 de dezembro de 2013

O-ADVENTO[1] 

 Mateus 11, 1 – 11

 João Batista envia os seus discípulos a Jesus com a pergunta sobre a sua verdadeira identidade. Jesus responde: observe bem o que eu falo e faço, vejam as coisas que acontecem ao meu redor e vocês saberão quem Eu sou.

Este mesmo princípio nos aplicamos muitas vezes para conhecer os nossos semelhantes. Quantas vezes nos julgamos os outros baseando-nos neste princípio. Mas uma pergunta precisa ser feita: Já tivemos a coragem de olhar e julgar o que nos mesmos falamos e fazemos concretamente na nossa vida diária, a fim de poder descobrir quem somos de fato e não o que aparentamos?

É muito possível a gente se assustar com as descobertas que faremos, mas é também mais uma ocasião que Deus providencia para podermos iniciar uma nova conversão: Endireitar os caminhos do Senhor!

Por sua vez Jesus pergunta aos seus discípulos, o que João Batista representa para eles. Ele mesmo responde: João não é uma figura frágil, muito menos rico, mas é aquele que o profeta Malaquias (Mal. 3, 5) prometeu; ”Eis que envio meu mensageiro diante de ti, para que prepara o caminho”. Um grande profeta que procurará ajudar os homens na preparação da vindo do Salvador, Cristo Jesus.

Eu que sou cristão e que confio nas palavras de Jesus, sou declarado mais importante que João Batista, sou aquele que agora devo auxiliar o meu irmão para a vinda de Jesus neste mundo perturbado em que vivemos. Eu sou o mensageiro que anuncia os caminhos do Senhor, não apenas por palavras, o que até é fácil, mas de modo especial pelas minhas obras e atitudes.

Comentário escrito pelo Capelõa do Mosteiro

 

Festa de São João da Cruz

Dia 14 de Dezembro Festa de São João da Cruz

Carmelita e Doutor da Igreja 

Breve biografia de São João da Cruz são joão da cruz 02[1]

São João da Cruz nasceu em 1542 em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.

Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.

Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da “Noite Escura da alma”, da “Subida do monte Carmelo”, do “Cântico Espiritual” e da “Chama de amor viva”.

A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena”. “Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor”, disse o Santo. “Fomos feitos para o amor”. “O único instrumento do qual Deus se serve é o amor”. “Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus”.

O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.

Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado e declarado Doutor da Igreja por Pio XI . Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.

Diapositivo8[1]

Todos os Santos

Festa de todos os santos – dia 03 de novembro de 2013

pedras_angulares_icone_todos_os_santos_590px[1] Alegria– Lucas 5, 1 – 12ª 

A felicidade que o evangelho das Bem-aventuranças promete é somente daqueles que temem e respeitem o Senhor. Jesus a promete a diversas categorias de pessoas, mas também manifesta uma predileção especial pelos pobres. Ora a esses pobres, que para a sociedade não tem maior importância, pois influenciam muito pouco nas decisões dos poderosos e não tem o poder do mando, agora é oferecida a felicidade, basta confiarem na pessoa de Cristo e da sua mensagem. De fato ela é possível, porque Jesus está presente na vida deles, pois Ele se oferece a quem Nele acredita e eles acreditam de fato na sua presença na luta diária.  A prova desta verdade é a fé inabalável do povo simples e humilde de Deus.

 Comentário escrito pelo Capelão do Mosteiro.

Comemoração de todos os fiéis defuntos

Comemoração de todos os fiéis defuntos – 02 de novembro de 2013

mensagem de conforto[1] A morte. 

A morte permanece para o homem um mistério profundo. Um mistério cercado de respeito por todos os seres humanos. Como nos, cristãos consideramos e enfrentamos este mistério? Qual é a atitude nossa diante da pergunta: Qual é o sentido da vida sendo constantemente confrontado com a realidade da morte?

Para o cristão a morte é a consequência normal de quem segue os passos de Cristo. O fruto do pecado é a morte que por sua vez exigiu a morte de Cristo Jesus. Teremos, portanto de beber do mesmo cálice, para poder encontrar o Pai, nos esperando de braços abertos.Portanto a morte é apenas uma derrota aparente, mas na realidade significa ressurreição e vitória.A liturgia da Missa canta:”Nela refulge para nós a esperança da feliz ressurreição. E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado no céu um corpo imperecível.”

 Comentário escrito pelo Capelão do Mosteiro